(Source: helleenlima)

Belo Horizonte - 25 de Março de 2012
Querida Verônica.
Escrevo-te novamente à fim de uma paz que nunca encontramos em todo esse tempo que afastadas ficamos. Peço-lhe que guarde juntamente às conchas do mar que à ti entreguei todo o carinho e amor que a dediquei. Que não se esqueças jamais de tudo aquilo que vivemos e que pense bastante no que ainda está por vir. Tenho por ti ainda todo aquele sentimento imensurável de alguns anos atrás, de quando nossa infância se interlaçou com nossa juventude e fizeram de ti e de mim pessoas melhores.
Peço-lhe nada mais que atenção, aos mínimos detalhes, feito como antigamente onde nos entendíamos com o olhar, por mais que a distância nos impeça de fazer uma leitura completa dos olhos; dedique-se à ti e a tua felicidade, se não for muito pedir, dedique-se a mim também. Há muito preciso de ti pra escrever sobre meus dias e dedicar-me à algo realmente bom.
Venho lembrar-te de nossa corda, aquela… bonita e forte que construímos há alguns anos e que prometemos nunca soltá-la, independente das circunstâncias que nos fossem impostas. Lembro-me bem de apertá-la com toda minha força quando no corredor de embarque a deixei junto à lágrimas e boas lembranças daqueles dias que contigo passei.
Disponho-me à cuidar-te com a condição de nunca mais isolar-te. Que comigo compartilhe as dores e também os amores. Que não deixe nada passar despercebido. Que se agarre à alguém que lhe faça realmente bem, tenhas consciência de que tudo o que fazes é tudo o que receberás. Cuidado ao agarrar-te que citei, afinal, não existe ser no mundo que a ame mais do que você mesma.
Ajudo-te a se reerguer com as duas mãos, se me prometer cuidar-me dos pés, sendo meu ponto de equilíbrio novamente. Se comprometer-te com a vida, com as vidas que lhe cercam. Que ajude o próximo a ser uma pessoa melhor, que mostre ao mundo o tamanho de teu amor, continue a transmitir-lhe sua paz, dê à ele alguns de teus sonhos e reparta toda tua bondade. Repare alguns de seus erros para com ele, peça perdão e, se necessário perdoe também. Garanto-lhe que teríamos um lugar melhor de se viver se cada um carregasse a parte boa que tens dentro de ti. 
Peço-lhe de volta todos os momentos que vivemos juntas. Que compartilhe comigo  tuas noites de escuridão e as de extrema alegria. Que voltemos a andar lado a lado como antigamente.
Sabe pequena, percebi que quando criança tínhamos uma trajetória de vida invejável! Tínhamos tudo em tão pouco. Um caráter maior do mundo! Brigávamos e prometíamos nunca mais nos falar, e alguns instantes depois estávamos lá novamente: juntas. Afinal, nos importávamos mais com a diversão do que com nossas diferenças. Esquecíamos totalmente os males que tivéssemos causado à outra. Por uma tarde tranquila e feliz.
Sem mais delongas, vou me despedindo antes que a chuva molhe-me os papéis. E, antes que tu se esqueças: deixo no rodapé da carta algo que há muito não escutas de minhas palavras ditas: Amo-te do tamanho do teto da rua. Como nunca amei ninguém! E, espero que rapidamente as coisas por aí se ajeitem, para que possamos nos ver novamente. Aguardo notícias tuas e de tua família.
                   Com todo amor dentro e fora do mundo; Marcela.
Ingrid Filgueiras.

Belo Horizonte - 25 de Março de 2012

Querida Verônica.

Escrevo-te novamente à fim de uma paz que nunca encontramos em todo esse tempo que afastadas ficamos. Peço-lhe que guarde juntamente às conchas do mar que à ti entreguei todo o carinho e amor que a dediquei. Que não se esqueças jamais de tudo aquilo que vivemos e que pense bastante no que ainda está por vir. Tenho por ti ainda todo aquele sentimento imensurável de alguns anos atrás, de quando nossa infância se interlaçou com nossa juventude e fizeram de ti e de mim pessoas melhores.

Peço-lhe nada mais que atenção, aos mínimos detalhes, feito como antigamente onde nos entendíamos com o olhar, por mais que a distância nos impeça de fazer uma leitura completa dos olhos; dedique-se à ti e a tua felicidade, se não for muito pedir, dedique-se a mim também. Há muito preciso de ti pra escrever sobre meus dias e dedicar-me à algo realmente bom.

Venho lembrar-te de nossa corda, aquela… bonita e forte que construímos há alguns anos e que prometemos nunca soltá-la, independente das circunstâncias que nos fossem impostas. Lembro-me bem de apertá-la com toda minha força quando no corredor de embarque a deixei junto à lágrimas e boas lembranças daqueles dias que contigo passei.

Disponho-me à cuidar-te com a condição de nunca mais isolar-te. Que comigo compartilhe as dores e também os amores. Que não deixe nada passar despercebido. Que se agarre à alguém que lhe faça realmente bem, tenhas consciência de que tudo o que fazes é tudo o que receberás. Cuidado ao agarrar-te que citei, afinal, não existe ser no mundo que a ame mais do que você mesma.

Ajudo-te a se reerguer com as duas mãos, se me prometer cuidar-me dos pés, sendo meu ponto de equilíbrio novamente. Se comprometer-te com a vida, com as vidas que lhe cercam. Que ajude o próximo a ser uma pessoa melhor, que mostre ao mundo o tamanho de teu amor, continue a transmitir-lhe sua paz, dê à ele alguns de teus sonhos e reparta toda tua bondade. Repare alguns de seus erros para com ele, peça perdão e, se necessário perdoe também. Garanto-lhe que teríamos um lugar melhor de se viver se cada um carregasse a parte boa que tens dentro de ti. 

Peço-lhe de volta todos os momentos que vivemos juntas. Que compartilhe comigo  tuas noites de escuridão e as de extrema alegria. Que voltemos a andar lado a lado como antigamente.

Sabe pequena, percebi que quando criança tínhamos uma trajetória de vida invejável! Tínhamos tudo em tão pouco. Um caráter maior do mundo! Brigávamos e prometíamos nunca mais nos falar, e alguns instantes depois estávamos lá novamente: juntas. Afinal, nos importávamos mais com a diversão do que com nossas diferenças. Esquecíamos totalmente os males que tivéssemos causado à outra. Por uma tarde tranquila e feliz.

Sem mais delongas, vou me despedindo antes que a chuva molhe-me os papéis. E, antes que tu se esqueças: deixo no rodapé da carta algo que há muito não escutas de minhas palavras ditas: Amo-te do tamanho do teto da rua. Como nunca amei ninguém! E, espero que rapidamente as coisas por aí se ajeitem, para que possamos nos ver novamente. Aguardo notícias tuas e de tua família.

                   Com todo amor dentro e fora do mundo; Marcela.

Ingrid Filgueiras.

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Uma carta á estante

Querida Jessie,

Sei que teu sorriso plastificado jamais poderá me desejar um bom dia, e seus olhos penetrantes jamais ousarão piscar. Sei que escrevo a quem jamais poderá me dar consolo ou corresponder meu afeto, mas conto a você hoje sobre o meu dia. Escrevo para a estante encostada na parede do meu quarto. Jessie, hoje ganhei um nome. Sei que me conhece pelo soar do chamado do outro lado da porta, mas hoje tenho um nome novo. Hoje tenho um novo destino. 

Passei meu dia mergulhada na insensatez do meu medo, temendo a vida. Decidi esconder-me debaixo do travesseiro, de corpo inteiro. A alma escondida debaixo de lençóis. Nem mesmo o vento do outono, que invadia e preenchia o quarto me trouxe alegria. Eu juro, eu juro que se teu chapéu não fosse de plástico teria voado até mim. Teria sussurrando: “levante-se, menina”

Eu juro, juro que pensei que ao fim do dia estaria perdida. Que no clarão das luzes sendo acesas no meu quarto eu ainda estaria encostada na parede, deitada na cama de lençol vermelho. Eu deixei-me levar pelo soar dos nomes que me trouxeram angustia e não me permiti acreditar, eu podia contar. Eu podia me agarrar àquelas pessoas que me trouxeram lágrimas doces.

Cara Jessie, a boneca de cabelos vermelhos sentada à minha estante, hoje fui surpreendida por nomes que temi perder. Hoje me disseram “estamos com você”. E em outrora eu não acreditaria, riria e diria “todos um dia me prometem coisas parecidas”, mas nelas descansei o imaginar. Porque eu estaria com elas. 

Hoje me chamo Anita, elas nunca souberam que dava esse nome às minhas bonecas quando pequena, mas me presentearam com essa alegria. Elas me trouxeram força, e a elas gostaria de dizer: “nunca fui tão feliz”.

Anita.

(via sussurrandoalento)

Hey querida! Não se esqueça de fechar a porta ao sair, não quero que as coisas boas que aqui vivemos deixem esse lugar, não que sejam grandiosas, mas me trazem bons pensamentos! - Disse dona Carla a sua filha mais velha. Obteve como resposta o pensamento alto de sua filha Anita, que com toda sua doçura no olhar, e ao mesmo tempo tristeza de deixar aquele lugar que há muito vivera em paz, respondeu-lhe: “As coisas boas mãe, a gente leva dentro da cabeça! É só um lugar, e não temos que nos prender à matéria!”
Anita, com todo seu carisma e sua simplicidade, conquistava as pessoas com o seu sorriso, que ao contrário que se vê por aí, eram emitidos com o olhar e não cheio de dentes. Sabia cativar suas amizades, se preocupava mais em ajudar do que em ser ajudada. Carregava nos bolsos algumas manias escritas à papel, pra que não pudesse se esquecer do que lhe fora ensinado ao decorrer de sua vida. 
Anita, Anita! O que fazes com suas preces e desejos? Elas te tornam uma pessoa tão bonita! Deverias escrever livros, afinal, sabes tão bem transformar o que é dor em palavras confortantes aos olhos do leitor. De uns tempos para cá, tua vida tem se tornado demasiadamente importante às nossas, pelo simples fato de enxergar com a alma todos os outros que a cercam.
Tens uma habilidade tão bela de fazer feliz as pessoas que lhe cercam que, eu e Michele temos procurado alguma maneira de lhe ver feliz, não que contestemos tua felicidade, mas sabemos que os tempos que seguem não são dos melhores e, de alguma forma, expressar em palavras nossos sentimentos nos acalma e nos faz nos sentir mais próximas a ti. Desejamos de todas as formas que encontre felicidades por todos os lugares que andar, seja pela rua ou em sua própria casa e, se pouco for, tenha paz dentro de ti e a consciência de que não importa o quão longe for, estaremos ao teu lado na alegria ou na dor.

Ingrid Filgueiras & Renata Mattos.

Hey querida! Não se esqueça de fechar a porta ao sair, não quero que as coisas boas que aqui vivemos deixem esse lugar, não que sejam grandiosas, mas me trazem bons pensamentos! - Disse dona Carla a sua filha mais velha. Obteve como resposta o pensamento alto de sua filha Anita, que com toda sua doçura no olhar, e ao mesmo tempo tristeza de deixar aquele lugar que há muito vivera em paz, respondeu-lhe: “As coisas boas mãe, a gente leva dentro da cabeça! É só um lugar, e não temos que nos prender à matéria!”

Anita, com todo seu carisma e sua simplicidade, conquistava as pessoas com o seu sorriso, que ao contrário que se vê por aí, eram emitidos com o olhar e não cheio de dentes. Sabia cativar suas amizades, se preocupava mais em ajudar do que em ser ajudada. Carregava nos bolsos algumas manias escritas à papel, pra que não pudesse se esquecer do que lhe fora ensinado ao decorrer de sua vida. 

Anita, Anita! O que fazes com suas preces e desejos? Elas te tornam uma pessoa tão bonita! Deverias escrever livros, afinal, sabes tão bem transformar o que é dor em palavras confortantes aos olhos do leitor. De uns tempos para cá, tua vida tem se tornado demasiadamente importante às nossas, pelo simples fato de enxergar com a alma todos os outros que a cercam.

Tens uma habilidade tão bela de fazer feliz as pessoas que lhe cercam que, eu e Michele temos procurado alguma maneira de lhe ver feliz, não que contestemos tua felicidade, mas sabemos que os tempos que seguem não são dos melhores e, de alguma forma, expressar em palavras nossos sentimentos nos acalma e nos faz nos sentir mais próximas a ti. Desejamos de todas as formas que encontre felicidades por todos os lugares que andar, seja pela rua ou em sua própria casa e, se pouco for, tenha paz dentro de ti e a consciência de que não importa o quão longe for, estaremos ao teu lado na alegria ou na dor.

Ingrid Filgueiras & Renata Mattos.

A velha mania de sonhar alto perseguia Marcela, atentava-a de todas as formas a optar pelo mais difícil. Mas, seus sonhos eram maiores que todos os obstáculos que a ela eram impostos, era persistente, menina de fibra nano! Encarava a vida como a caixa de Pandora que, apesar de todos seus males espalhados e escondidos entre buracos do mundo, mantinha guardada a velha e resistente esperança, esta que, há muito tempo viera para lhe resguardar do futuro incerto.
Tinha como certeza unica e incontestável que seu futuro lhe reservava algo especial em uma de suas profissões; Marcela queria ser dentista, advogada e médica também, queria pois queriam por ela! Era indecisa e preguiçosa, tentava de todas as formas correr de seu futuro, adiar suas decisões. Marcela se tornara uma menina cheia de responsabilidades, demorou a perceber que, nesse mundão todo a única pessoa que poderia fazer algo que a recompensasse seria ela mesma. Arregaçou as mangas da blusa e como uma fruta, amadureceu rapidamente, viu-se cercada por coisas e costumes diferentes, interagiu com o mundo exterior à sua cabeça.
Escolheu por fim, realizar sonhos de pessoas que assim como ela, sonhavam alto, arquitetar destinos, encontros e sorrisos tornara-se sua maior prioridade. Tinha em mente que a felicidade seria a base de tudo, não somente a sua, mas de todas as pessoas à sua volta.
Meio à turbinas, parafusos e papéis com desenhos ainda um pouco rabiscados, Marcela se imagina com uma felicidade imensa vendo o resultado de mais um de seus trabalhos.
Ingrid Filgueiras.

A velha mania de sonhar alto perseguia Marcela, atentava-a de todas as formas a optar pelo mais difícil. Mas, seus sonhos eram maiores que todos os obstáculos que a ela eram impostos, era persistente, menina de fibra nano! Encarava a vida como a caixa de Pandora que, apesar de todos seus males espalhados e escondidos entre buracos do mundo, mantinha guardada a velha e resistente esperança, esta que, há muito tempo viera para lhe resguardar do futuro incerto.

Tinha como certeza unica e incontestável que seu futuro lhe reservava algo especial em uma de suas profissões; Marcela queria ser dentista, advogada e médica também, queria pois queriam por ela! Era indecisa e preguiçosa, tentava de todas as formas correr de seu futuro, adiar suas decisões. Marcela se tornara uma menina cheia de responsabilidades, demorou a perceber que, nesse mundão todo a única pessoa que poderia fazer algo que a recompensasse seria ela mesma. Arregaçou as mangas da blusa e como uma fruta, amadureceu rapidamente, viu-se cercada por coisas e costumes diferentes, interagiu com o mundo exterior à sua cabeça.

Escolheu por fim, realizar sonhos de pessoas que assim como ela, sonhavam alto, arquitetar destinos, encontros e sorrisos tornara-se sua maior prioridade. Tinha em mente que a felicidade seria a base de tudo, não somente a sua, mas de todas as pessoas à sua volta.

Meio à turbinas, parafusos e papéis com desenhos ainda um pouco rabiscados, Marcela se imagina com uma felicidade imensa vendo o resultado de mais um de seus trabalhos.

Ingrid Filgueiras.

São Paulo, cuide dela.
- Você não pode fazer nada. Você é nova, é pouco. - Eu me disse
- Eu queria que ela soubesse. - Me contrapus
-Então diga.
-Nos entrelaço do tempo, foi-se o que antes era essencial. Tomou asas, se tornou passado. Sem aviso, trouxe o vento, trouxe ti. Eu só queria dizer, mas devo pedir perdão. Eu devia ligar, devia procurar ouvir o tom da sua voz. Perdão. Eu nunca fui boa em palavras ditas. Não se vê, se perde na memória, no saber. Deixo implícito nas palavras que dito, desejo teu bem. Desejo teu sorriso. Peço, sem querer exigir, que faça da minha força, sua. Oferecer teu sustento. Mesmo sabendo que sou pouco. Mesmo sabendo que sou recém-chegada, mas teu nome faz parte do meu presente. Teu nome se fez alento para mim. E se caso precise, farei alento para ti. Sei que me torno uma presença cheia de ausência, mas completamente fascinada com a sua existência.
Não queria ter que dizer o quanto é para mim, queria lhe oferecer abrigo. A minha companhia. Ofereço-lhe minha alegria, pois é percentualmente sua. Mas trago nos meus parágrafos cheios de vírgulas e assentos, meu peito aberto. Meus pêsames. Trago à presença dos seus olhos o meu desejo em nome de todos nós. Trago a ti a verdade, você jamais estará sozinha.
-Eu espero que ela goste.
-Eu também.
Mellyna C. (e toda a galera boladona)

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É uma nova velha, mas mesmo assim, o tempo nao se encarregou de poupar-lhe certos abismos que os anos a trariam. Dona Maria, nunca teve uma vida exemplar, virava noites e noites jogando bilhar, sob o céu em que as estrelas entrelaçavam seus brilhos com a luz do luar, punha-se a pensar que aquelas mesmas estrelas que iluminavam suas noites, nunca seriam capazes de lhe prejudicar.

Pobre dona Maria! Procurou por tanto tempo se encontrar, de seus filhos e netos cuidar, que num sopro da vida, o tempo se encarregou de tudo levar. Lúcia, sua mais velha irmã, punha-se a lamentar sob seu corpo ali a vegetar. E, até mesmo a contestar sua legítima felicidade pôs-se a pensar: “Oh Maria! Perdeste tanto tempo cuidando de tuas crias, que veja só! Não sobrara nada à você!”. E como se algum direito tivesse de lhe criticar, dona Lúcia, sua irmã, pôs-se à seus filhos e netos a culpar.

Dona Maria, como era de se esperar, casou-se com um homem que na aparência viera lhe enganar e, como um castigo de algo que nunca viera a praticar, tivera que por toda a vida de seu homem cuidar. Velho turrão e briguento seu Antônio viera se tornar. Coisa que, dona Maria, sempre viera a reclamar, fora de suas sondas três vezes ao dia trocar.

Caminharam toda vida lado-a-lado com a morte, mas, sempre despistando-a, conseguiram aproveitar ao máximo tudo que a vida pudera lhes dar. Seu Antonio, de uns tempos pra cá, pusera-se a imaginar sua vida sem dona Maria, esta que, por tantos anos viera lhe aturar e cuidar-lhe sem nada cobrar. Pôs em cheque tudo o que viveram juntos e, viu que sua parceira de saúde e de doença, quando de suas trocas de sondas punha-se a reclamar, reclamava com razão, afinal, sempre fizera mais do que recebera, mesmo assim dona Maria, de suas obrigações nunca viera se afastar.

Vou-lhes contar mais uma história de se chocar, não que seja a melhor nem a pior, mas que de alguma forma suas raízes vieram mais fortes ficar. Dona Maria, tentava de alguma forma, suprir a falta que os pais de seus netos os faziam, como uma boa Moreira, tinha a compreensão que uma família bem estruturada seria a base de tudo. Mesmo com sua saúde e disposição limitados, dispunha à seus netos toda a boa educação que de seus filhos viera a dar. Que as dores à perdoem e que seu destino espere mais um pouco, mas, dona Maria, ao contrário do que se pensa, desta vida muitas felicidades e amores está a carregar.

Ingrid Filgueiras.

(Source: dei-tar-me-ei, via adapte-me)

(Source: t-i-r-i-n-h-a)

 Talvez a distância tenha nos mantido mais próximos! -disse Marcela à seu Getúlio, este que, há pouco embarcara em mais uma de suas longas e cansativas viagens. Marcela obteve como resposta de tal afirmação apenas um “Sim” ríspido, como se Getúlio ignorasse todos aqueles anos vividos de forma branda e sutil, como se aos poucos tais sentimentos bons fossem se definhando e os tornando nada mais que meros estranhos. Talvez, de tudo, se tornarem meros estranhos não fosse o pior castigo. Mas, a incompreensão e a falta de tempo, fora matando aos poucos por inanição todo aquele sentimento bom nutrido durante anos por ambas as partes.

 Marcela, fora tachada de egoísta por seu Getúlio. E seu Getúlio como o incompreensível de toda a história. E, mais uma vez, o velho turrão saíra com um sorriso estampado no rosto, rindo de suas próprias verdades. Marcela calou-se e, 
finalmente decidiu enfrentá-lo igualmente. Sem pressa, seu Getúlio se afastou de Marcela, mais uma vez. Diferentemente de outras ocasiões, Marcela não tentou tapar o buraco como tantas outras vezes, deixou-o sozinho, afinal, todo merecimento é necessário. 






 Marcela pôs-se novamente à escrever sobre seus recentes problemas e, diferente de outras vezes: encontrou-se. Com muita tristeza, escrevera seu ultimo parágrafo, e propositalmente esquecera do ponto final, para que se necessário um dia, possa voltar a escrever tal história com seu querido amigo Getúlio, sendo assim, terminara seu último verso com uma virgula,



Ingrid Filgueiras

Talvez a distância tenha nos mantido mais próximos! -disse Marcela à seu Getúlio, este que, há pouco embarcara em mais uma de suas longas e cansativas viagens. Marcela obteve como resposta de tal afirmação apenas um “Sim” ríspido, como se Getúlio ignorasse todos aqueles anos vividos de forma branda e sutil, como se aos poucos tais sentimentos bons fossem se definhando e os tornando nada mais que meros estranhos. Talvez, de tudo, se tornarem meros estranhos não fosse o pior castigo. Mas, a incompreensão e a falta de tempo, fora matando aos poucos por inanição todo aquele sentimento bom nutrido durante anos por ambas as partes.

Marcela, fora tachada de egoísta por seu Getúlio. E seu Getúlio como o incompreensível de toda a história. E, mais uma vez, o velho turrão saíra com um sorriso estampado no rosto, rindo de suas próprias verdades. Marcela calou-se e, 
finalmente decidiu enfrentá-lo igualmente. Sem pressa, seu Getúlio se afastou de Marcela, mais uma vez. Diferentemente de outras ocasiões, Marcela não tentou tapar o buraco como tantas outras vezes, deixou-o sozinho, afinal, todo merecimento é necessário. 
Marcela pôs-se novamente à escrever sobre seus recentes problemas e, diferente de outras vezes: encontrou-se. Com muita tristeza, escrevera seu ultimo parágrafo, e propositalmente esquecera do ponto final, para que se necessário um dia, possa voltar a escrever tal história com seu querido amigo Getúlio, sendo assim, terminara seu último verso com uma virgula,

Ingrid Filgueiras

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